Nippon Experience

A Terra do Sol Nascente
A terra do sol nascente é o local mais longínquo onde estive. São muitas horas no ar para visitar mais uma ilha ou arquipélago. O Japão tem cerca de 123 milhões de habitantes e movimenta trinta e cinco milhões de turistas internacionais por ano. Está na moda, tal como muitos outros sítios pelo mundo. Contudo, isso não lhe tira a beleza, a organização, a limpeza e a atenção com que nos tratam.

Actualmente somos bombardeados nas redes sociais com demasiada informação sobre tudo. Caímos na armadilha de querer ver aqueles mesmos sítios, tornando-os comerciais e densamente populosos. Encontrar locais calmos, tranquilos e fora da rota passou a ser o que mais ambiciono ao viajar, embora nem sempre o consiga.

Como Funciona o Japão
O Japão é um país muito intuitivo. Apesar de a informação estar maioritariamente em japonês, os transportes são extremamente eficientes. As indicações fazem sentido depois de aprendermos a lógica. As pessoas são prestáveis e super educadas. O silêncio é incrível. No metro não se ouve nada, talvez porque vão todos a olhar para o telefone ou a dormir. Nas ruas não há apitadelas e o trânsito é cordial.

A natureza está presente em todo o lado. Há muitos jardins, árvores nas avenidas e plantas à porta de casa. Fora das cidades é tudo verde, quer sejam florestas ou campos de arroz. A água é abundante e saborosa, permitindo encher a garrafa facilmente. Encontramos também muitos trilhos e templos budistas e xintoístas.

O Japão é um local de sonho para os fãs de manga, facas, tecnologia, roupa, maquilhagem, sushi, noodles e mochi. O sushi é o fast-food mais espetacular que existe. Em qualquer canto há um supermercado, uma barraquinha ou um restaurante com sushi acima da média por um terço do preço.

Logística e Dinheiro
A viagem foi feita no sentido norte-sul: Tóquio, Hakone, Quioto, Osaka e Okinawa. No entanto, por uma questão logística, deveria ter sido feita no sentido inverso. O ideal seria começar por Okinawa com o mínimo de bagagem e terminar em Tóquio, comprando pelo caminho o que fizesse falta.

Há várias coisas a ter em atenção. Um calçado confortável é fundamental, pois acabamos por fazer vinte quilómetros a pé por dia. A temperatura nesta altura do ano é média-alta, com muita humidade e chuva. É preciso levar um bom impermeável e leve. A hidratação é fácil graças à boa qualidade da água nas fontes e WCs públicos. Uma mochila ou totebag também dão muito jeito.

Para pagar as coisas, convém ter sempre dinheiro físico. Muitos locais tradicionais não aceitam cartão. O uso de cartões como o Revolut ajuda bastante, e nos ATM das lojas Seven Eleven não são cobradas taxas. O cartão de transporte Suica ou Pasmo serve para transportes, lojas e restaurantes. Quem tem iPhone pode criar um cartão Suica diretamente na wallet.

Esqueçam as gorjetas, pois não são bem vistas e o preço já contempla o serviço. Nos pagamentos em dinheiro, o valor não se entrega à mão, mas sim num pequeno cesto no balcão.

Transportes e Dicas úteis
Os transportes japoneses são extremamente pontuais, pelo que convém chegar cedo. O Google Maps ajuda a saber a plataforma, a carruagem e a saída mais rápida. Contudo, não façam como eu. Em Quioto, entrei num Shinkansen à pressa rumo a Osaka e quando dei por ela estava quase a chegar a Tóquio. Felizmente, o revisor foi impecável e avisou o comboio seguinte para trocarmos de lugar.

Tal como nos Caminhos de Santiago, no Japão usa-se o reenvio de bagagem entre cidades. O envio é feito de manhã para chegar no dia seguinte. Como alternativa às lembranças pesadas, podemos colecionar carimbos culturais nas estações e templos num caderno japonês.

Nas compras Tax-Free, é preciso gastar pelo menos cinco mil e quinhentos ienes. Como o IVA no Japão é de apenas dez por cento, nem sempre compensa gastar mais dinheiro só para atingir o valor mínimo. Os japoneses são muito consumistas, mas as marcas locais como Uniqlo, Muji e Montbell oferecem uma excelente relação preço-qualidade.

Tóquio
Tóquio é uma capital moderna, limpa, ampla e estruturada. Tem muita história, tradições e jardins agradáveis. As corridas matinais marcaram a rotina da viagem, permitindo explorar novas áreas e controlar os abusos calóricos. Quinze dias não chegam para conhecer tudo, mas dão uma boa perspetiva cultural.

Shinjuku é o bairro onde ainda se encontram ruas estreitas e labirínticas, além de ser famoso pelo ecrã 3D do gato gigante. Shibuya é o bairro rival, conhecido pela passadeira ultra popular onde toda a gente quer passar. Entre ambos existem rooftops agradáveis para observar o movimento.

Em comparação com outras cidades, Tóquio não tem tantos templos por metro quadrado. No entanto, o bairro de Asakusa alberga um templo budista e um mercado de rua que merecem visita. O Museu Edo-Tokyo reabriu recentemente e é imperdível para quem gosta de história.

Hakone
Hakone é o local ideal para experimentar os famosos onsen. Trata-se de termas de água quente onde homens e mulheres ficam separados, sem roupa e sem pudor. É um espaço de relaxamento profundo, embora a água a ferir me tenha custado mais do que os fiordes noruegueses. Atenção que quem tem tatuagens pode enfrentar restrições nalguns hotéis.

Esta zona fica no acesso ao Monte Fuji, rodeada de floresta, rio e cascatas. Ali perto fica o lago Ashi, com vistas magníficas para o Fuji. Podemos apanhar o teleférico para Owakudani e comer ovos negros cozidos no enxofre. Mais à frente fica a descida famosa do filme The Fast and the Furious: Tokyo Drift.

Nas redondezas encontram-se os Oito Mares de Oshino. Visitar o Oshino Hakkai, embora pago, vale a pena pela tranquilidade e menor afluência. No Parque Arakurayama Sengen, podemos subir até ao topo para obter a fotografia clássica da torre com o Monte Fuji ao fundo.

Quioto e Hiroshima
Quioto é uma cidade agradável, ladeada por montanhas e florestas. As ruas estão organizadas em quadras, facilitando a navegação de bicicleta. Para além da floresta de bambu e do santuário Fushimi Inari Taisha com os seus carreiros de torii, Quioto é excelente para visitar destilarias e produções de matcha.

Hiroshima foi destruída em 1945 pela bomba atómica, mas reconstruiu-se mantendo viva a memória histórica. A visita ganha muito valor com um guia. Perto dali, a ilha de Miyajima surpreendeu com a sua natureza e excelentes ostras.

Osaka e Okinawa
Osaka merece mais do que dois dias. Tem um castelo imponente, tampas de esgoto originais e zonas vibrantes como Dotonbori, focadas na comida de rua.

Okinawa tem uma rede de transportes menos diversa, sendo recomendado alugar carro. A ilha é povoada e oferece parques naturais, praias de recife e boa produção de ananás, manga e café. Apesar do mau tempo com tempestade e alerta de tsunami, deu para ver os atuns na lota e provar sashimi fresquíssimo. A carne Matsusaka-Gyu foi outra surpresa incrível que se desfaz na boca.

Considerações Finais
Ler sugestões de amigos e ver redes sociais ajuda, mas ir aos sítios com a mente aberta supera tudo. Os free walking tours ajudaram imenso a compreender a história local. O Japão revelou-se acessível, tendo gasto mil novecentos e noventa euros em voos e estadias para dezasseis dias, e novecentos euros em comida, comboios e compras. É um destino que recomendo vivamente e ao qual espero voltar.